domingo, 4 de março de 2012

Tendências da Distribuição On-line


Esse meu artigo foi publicado também no Hôtelier News. Leia AQUI.
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A cada ano, um número crescente de marcas expande seu alcance global por meio do e-Commerce. Os maiores rumores agora são da Amazon, que está se preparando para entrar na Índia e/ou no Brasil. O bloco dos países emergentes, intitulado BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), continua na pauta do dia, mas CBIR será a ordem do comércio eletrônico. A China em primeiro, Brasil em segundo, seguido por Índia e Rússia.
 
Entretanto, uma presença global, para a maioria das empresas, é inexistente ou não tão eficiente como deveria. O maior problema? Idioma. Dois terços dos franceses e alemães declaram só comprar em sites com sua língua nativa. No Reino Unido, o percentual aumenta para três quartos. Nem preciso falar dos EUA, não é?
Por outro lado, existem marcas que realmente investiram e possuem um e-Commerce respeitável, como é o caso da Dell e da luxuosa Burberry, que possuem sites habilitados para trabalhar de maneira eficiente em inúmeros países.
 
Em turismo, já sabemos que o internauta chega a visualizar 20 sites antes de decidir pela compra da sua viagem on-line. Então qual a receita para um bom e-Commerce?
 
Já foi o tempo de simplesmente colocar algo à venda e entregar o produto prestando pouca ou nenhuma atenção ao cliente. Hoje, é necessária uma abordagem mais focada, páginas com referências locais, investimento em pesquisa e promoções segmentadas por canal de venda (direto no seu site ou indiretamente por meio dos distribuidores on-line). A experiência do cliente durante o processo de compra on-line virou critério de decisão. Não pode mais ser ignorada.
 
Na hotelaria, já aprendemos algumas coisas. Percebemos, por exemplo, que precisamos nos concentrar na distribuição direta, aumentar nosso foco e investir na construção de um site com melhor desempenho.
 
Alguns itens que impulsionam a estratégia direta:

- SEO (Search Engine Optimization) aperfeiçoada, em conjunto com links patrocinados;

- Esforços em mídias sociais;

- Conteúdo relevante e atualizado;

- Imagens grandes com excelente definição e vídeos;

- Trabalho com TripAdvisor, interagindo com os hóspedes que fazem seus comentários e, automaticamente, elevando seu hotel nos rankings orgânicos;

- Site em outros idiomas;

- E, claro, um motor de reservas de qualidade.
 
A conscientização disso tudo já foi um grande avanço. Agora falta muitos hoteleiros levantarem as mangas e começarem a trabalhar nisso sem esquecer o custo de cada canal de venda.
 

(imagem:
tourismindustryblog.com)
 
Abaixo, veja cinco tendências do e-Commerce voltadas à hotelaria para os próximos anos.
 
1) OTAs oferecem extras

Como dizia minha avó, enquanto os hoteleiros estão indo com o milho, as OTAs estão voltando como fubá. Estamos presenciando jogadas interessantes das OTAs (On-line Travel Agencies) para sobrepor as iniciativas (ainda incipientes, se pensarmos no mercado brasileiro) dos hoteleiros.
 
Vejam alguns benefícios que algumas oferecem:

- Atrações gratuitas;

- Cartões com uma certa quantia em gasolina (para aluguel de carro);

- Dinheiro vivo (debitado no cartão do cliente).
 
Como conseguem isso? Simples: eles usam sua margem de ganho para financiar esses extras e incentivar que os viajantes reservem com eles e não nos sites dos hotéis.
 
Outra grande tacada das OTAs é sua habilidade com os links patrocinados. Em um de meus treinamentos de RM e Distribuição para uma rede de hotéis, mostrei o print screen de toda busca on-line de um dos hotéis. O gerente geral perguntou: "Mas eu pago link patrocinado e tenho um bom site, como a Booking e a Decolar aparecem antes de mim no Google?" Bem, esse hotel até teve sorte que grandes OTAs só estão pagando mais que ele pelas mesmas palavras (incluindo o nome do hotel). Em alguns casos, as OTAs compram o domínio, mudando algo imperceptível.
 
DICA: Falando em agências on-line, lembre-se que, se seu hotel apenas aparece na OTA sem se envolver com o merchandising, posições no ranking, promoções e outros recursos de marketing, você está apenas pagando uma comissão alta (entre 15% e 25%). Possivelmente alguns clientes nem conseguirão encontrá-lo. Se é para entrar nessa, entre de cabeça e faça valer cada centavo pago na transação.
 
2) Explosão dos intermediários de nicho

OTAs já estão estabilizadas e agora precisam focar seus esforços em melhor monetizar o tráfego em seu site e entregar melhores canais de comercialização para seus parceiros. Portanto, especialistas afirmam que a próxima onda que afetará a distribuição hoteleira será a quantidade de empresas de nicho que vem surgindo, enquanto as OTAs atingem sua maturidade.
 
Exemplos:

HotelTonight - compras somente pelo celular

Businesstravel.com - foco em empresários

Day Use - reserva de apartamentos entre três e sete horas
 
Já os sites que exigem cadastro serão melhorados e tomarão muito fôlego. Exemplos no exterior: Living Social e Jetsetter. Exemplos nacionais: Zarpo e o recém-inaugurado no Brasil, Voyage Privé.
 
 
3) O "Movimento em Cruz" do seu inventário

Está ficando cada vez mais difícil saber quem está vendendo seu hotel e de onde eles conseguem o inventário, já que você não negociou com eles e, muitas vezes, nem ouviu falar. Partindo desse pressuposto, quem hoje diz que tem controle de 100% da sua distribuição on-line não sabe o que está falando. É impossível! E aqui está a razão:
 
Muitas vezes os hoteleiros acham que seu hotel está sendo distribuído em algumas OTAs menores porque elas conseguem obter seu inventário com as maiores, por serem afiliadas. Assim, os hotéis acham que estão lidando com intermediários tradicionais e ficam até contentes em saber que elas chegam em mercados que eles não têm acesso. Entretanto, a grande verdade é que esses atacadistas começaram a vender seu inventário para outras OTAs, sites de leilão e até sites de compras coletivas.
 
Se essa tendência se mantiver nos próximos anos, o emaranhado da distribuição hoteleira será mil vezes mais complexo do que está hoje, e olha que a situação já está prá lá de complicada!
 
4) O Google veio para ficar

O resumo da história é simples: o Google tem musculatura financeira para mudar todo o panorama da distribuição.
 
Hotéis e OTAs estão se preocupando com isso. A proposta é ser mais do estilo do pragmático Kayak do que uma OTA tradicional, no qual a preocupação com a experiência de compra é mais elaborada. Entretanto, o mais preocupante é que eles pretendem cobrar um percentual sobre a receita potencial e não mais o custo fixo por cada clique que enviam para a página dos anunciantes. Vai ser interessante ver a disputa dos hotéis e OTAs por espaços de publicidade no Google. Já imagino o pessoal de Mountain View, California, sorrindo à toa.
 
 
Conheça o Google Flights, o Google Hotel Finder e o Google Transit (viaje usando transporte público).
 
5) Redes Sociais continuam importantes, mesmo sem o ROI esperado

Há uma diferença clara entre os internautas que utilizam sites de busca e os usuários de redes sociais. Os primeiros fazem uma pesquisa qualificada e são clientes com intenção real de compra. Já nas mídias sociais, tudo gira em torno da descoberta da marca, o que pode levar a uma intenção de compra. Portanto, as redes sociais entram como forte estratégia do marketing de relacionamento dos hotéis. Esse tipo de recomendação é o impulso que faltava para a demanda on-line.
 
O volume de transações pelas redes sociais ainda é pequeno, mas o hotel que já se posicionou e está arrebanhando fãs e seguidores vem criando uma demanda potencial importante. Mas cuidado, pois o pessoal pode cansar se você não interagir, inovar e se envolver de verdade. Enquanto o ROI (retorno sobre investimento) não vem, lembre-se que empresas como GrouponPeixe Urbano nasceram e enriqueceram por meio de seus melhores amigos: Orkut, Facebook e Twitter.
 
Como novidade na rede, conheça o Pinterest, rede social de fotos, na qual usuários costumam colocar imagens de tudo, inclusive de hotéis e viagens, podendo gerar conversas acaloradas sobre o destino. O site já gerou até fóruns de discussão em eventos de turismo nos EUA. A conclusão foi que os hotéis devem sim incluí-lo na sua estratégia on-line.
 
 
Bem, em resumo, nesse novo (e complexo) ambiente de negócios, é vital que os fornecedores (hotéis) mantenham um bom equilíbrio entre vender direto ao público final e trabalhar com intermediários/distribuidores confiáveis. Por isso, preferimos chamá-los de parceiros. Existe grande diferença entre parceria e simples intermediação. Lembre-se da premissa de uma boa negociação: ganha-ganha.
 
Não tenha a presunção de dizer que controla 100% de sua distribuição on-line, mas também não perca as rédeas do seu negócio. Fique ligado nas tendências, se antecipe, faça bons (e justos) contratos com seus intermediários e, por favor, invista (hoje e sempre) no seu site e redes sociais.
Boas vendas on-line!
 
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Hotel e Cidade Flutuantes, a Arquitetura do Fim do Mundo

O fim do mundo é o assunto do momento, e alguns arquitetos estão aproveitando a oportunidade para se destacarem com projetos ousados e criativos. 
Conheça 2 dos mais interessantes:

1) O HOTEL ARCA

O ARK HOTEL é um gigante de 14 mil metros quadrados, em formato de concha, 4 andares e capaz de flutuar.

O hotel foi criado pelo arquiteto Alexander Remizov (do escritório russo Remistudio) como parte do programa de assistência a desastres da União Internacional dos Arquitetos.


E ele pensou em tudo:

* Terremotos - peso se distribui entre os arcos de madeira e os cabos de aço.


* Ondas gigantes - porão com estrutura em camadas, sem bordas ou ângulos, transformando-o uma verdadeira concha, totalmente lacrada.


* Falta de energia - teto transparente feito de um plástico especial mais leve, reciclável, auto limpante e extremamente durável. Além de tudo, o projeto é totalmente sustentável, com energia eólica, térmica e solar.





Assista o vídeo para entender melhor o projeto (en Español):


2) A CIDADE FLUTUANTE - LILYPAD

LILYPAD é uma cidade flutuante totalmente auto sustentável, e que abriga até 50 mil pessoas.

E também pensando nas piores catástrofes ambientais possíveis, o projeto tem formato de vitória régia, e é feito de fibras de poliéster coberto por uma camada de dióxido de titânio. Ele reage aos raios ultravioleta e absorve a poluição atmosférica como um purificador de ar.


A cidade é composta por três marinas e três colinas, que rodeiam uma lagoa artificial. As três montanhas e marinas são dedicadas ao trabalho, compras e entretenimento, respectivamente, enquanto os jardins suspensos e as explorações aquícolas situadas embaixo d´água, seriam utilizadas para produzir alimentos e biomassa.








Bem, os projetos são incríveis, mas terei que declinar da hospedagem. Dia  21 de dezembro de 2012 é aniversário da minha querida amiga Ana e não estarei disponível. Além do mais, como já reafirmado nas redes sociais, todos sabem que o Brasil não tem infra estrutura para um evento do porte do fim do mundo.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

África muito além dos Safáris


Esse meu artigo foi publicado também no site Gestão do Luxo. Clique AQUI.
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Já foi o tempo em que safári era uma expedição de caça na África central e sul. Nessa época, grupos de caçadores se embrenhavam pelas florestas africanas por vários dias com carregadores nativos transportando seus equipamentos e suprimentos.

Hoje em dia, safáris são passeios em carro aberto para observar animais selvagens em reservas ou parques. A África possui inúmeras reservas que podem ser visitadas ao estilo safári, como Quênia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue, Botsuana, Namíbia e África do Sul.

Mas os safáris estão indo além, oferecendo aos turistas mais exigentes inúmeros momentos inesquecíveis e consagrando as savanas africanas no topo do turismo de luxo.

Afinal, pode ser que uma cena espetacular dure trinta segundos e nunca mais você veja algo parecido na vida, mesmo que faça outras centenas de passeios como esse.

Além disso, o luxo na África do Sul é levado a sério e o hóspede realmente faz o que quer.
Os lodges mais luxuosos chamam safári de game drive. Game vem de caça (é como se designam os animais a serem caçados) e drive é porque o safári é feito em land rovers abertas, com os bancos em degraus – a última fileira fica mais no alto e a primeira quase na altura do motorista, que é o ranger (guia do safári). Além do ranger, acompanha o safári o tracker, rastreador de pegadas e outros sinais que os animais deixam.
Fonte: www.concierge.com

Um dia de verão na África do Sul tem média de 48 graus, com picos de 50 graus. Isso quer dizer que os hotéis oferecem muito o que fazer entre um safári e outro. A gastronomia é de alto padrão e os spas e piscinas surpreendentes, com design e serviços acima do padrão.

Também há passeios alternativos para as comunidades locais, onde é possível experimentar comidas típicas, comprar artesanato, ouvir histórias e conhecer mais sobre esse povo acolhedor e simpático. 

As opções de hospedagem são muitas. Para validar a escolha, todo o ano acontece o Safari Awards, que premia os melhores do ano. Em 2011, o grande vencedor foi Chiawa Camp, localizado na Zâmbia.
Suíte do Chiawa Camp.

Passeio dos hóspedes no barco particular do Chiawa Camp.

Na categoria de acampamentos, meio de hospedagem tradicional das savanas, o Explore Gorongosa National Park de Moçambique ganhou como melhor do ano. E não é para menos. O Gorongosa oferece muito linho, chuveiro quente, camas king size, safáris imperdíveis e excelente gastronomia, tudo sem deixar de lado suas aconchegantes tendas.
“Suíte” do Explore Gorongosa.

Mas não é preciso procurar hotéis premiados para usufruir dos encantos e recantos extremamente sofisticados da África. A vantagem dos safáris é justamente contar com hotéis e pousadas que não medem esforços para superar as expectativas dos hóspedes.

O Singita Kruger National Park, por exemplo, conta com 33 mil acres de natureza preservada. Já o Singita Lebombo, parte da sofisticada rede Singita de lodges, é o lugar perfeito para quem quer conhecer de perto a fauna e a flora africana, mas não abre mão do conforto e da mais nova tendência em hospedagem, o eco hedonismo.

Singita Lebombo & Sweni.

Os safáris também se tornaram a sensação entre os destinos de lua de mel. Essa cena já faz parte do imaginário de muitos casais: jantar ao ar livre, à luz de velas, em plena savana africana, o melhor vinho do país sendo servido, um chef de cozinha inteiramente à disposição, animais rondando o ambiente e devidamente afastados pelos rangers, gastronomia impecável e, se for o aniversário de um deles, um grupo de africanas lindamente vestidas com roupas típicas cantando parabéns na língua local. Luxo e romance em um momento inesquecível.
E realmente os lodges africanos podem surpreender qualquer um. Onde mais seria possível ver uma cena assim?
Surpresas dos Singita lodges.
Como o recomendado é conhecer pelo menos 2 lodges por viagem (com possibilidade de fazer três a quatro safáris por lodge), é interessante sair da região mais montanhosa do Singita Lebombo, no Kruger, e conhecer a savana por uma outra perspectiva. Na região mais plana é possível encontrar o Singita Ebony, em Sabi Sands.
As cores do Singita Ebony, em Sabi Sands.
Já no Quênia, o Elsa´s Kopje Private House é um oásis mergulhado nas planícies do Meru National Park.

Suítes abertas e madeiras locais compõem o ambiente luxuoso e inesperado do Elsa.

Por último, o Serengeti, mais antigo e popular parque da Tanzânia. Além de várias espécies realizando movimentos migratórios ao longo do ano, suas planícies se estendem por mais de 14 mil km² de parque. Por aqui, é possível encontrar lodges incrivelmente refinados.
Suíte do Elsa´s Kopje Private House

Serengeti Under Canvas da rede &Beyond. Fonte: www.andbeyondafrica.com.
Suíte do Bilila Lodge Serengeti, da rede Kempinski.
Piscina do Bilila Lodge Serengeti.

É difícil sair impassível de um safári africano. A África está pronta para oferecer momentos memoráveis... muito além dos safáris.
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Veja o vídeo do Sabi Sabi Luxury Safari Lodges e começe a planejar a próxima viagem:
 
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Roomkey, uma porta que se abre

Esse meu artigo foi publicado noo Hôtelier News. Clique AQUI.
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No Brasil, o assunto quase passou desapercebido e as notas na imprensa foram breves no início do ano. Entretanto, nos Estados Unidos, o mundo das viagens está pegando fogo.
 
Como o mercado de viagens lá está alguns anos (ou muitos) à frente em termos de Revenue Management e Distribuição, é importante nos mantermos atualizados para aprender com seus erros e acertos para quando as coisas começarem a pipocar em terras brasileiras.
 
O assunto do momento é (e vai permanecer por um bom tempo) a obsessão dos hoteleiros americanos em se desvenciliar da dependência das OTAs (On-line Travel Agencies). E a iniciativa vem de encontro a vários movimentos que vamos presenciar daqui para frente. Independente de ser um super sucesso ou mais uma tentativa, fico muito feliz com a visão de negócio desses hoteleiros. Portanto, não poderia deixar de comentar um pouco mais sobre o Roomkey (não deixe de visitar o site).
 
 
Sob o slogan Search, Book, Relax (Busque, Reserve, Relaxe), seis redes hoteleiras uniram forças e lançaram, em 11 de janeiro último, o Roomkey.com, novo motor de pesquisa para clientes que procuram hotéis. A joint venture foi idealizada pelas seis maiores cadeias hoteleiras dos EUA: Choice Hotels International, Hilton Worldwide, Hyatt Hotels CorporationInterContinental Hotels Group (maior do mundo em número de apartamentos), Marriott InternationalWyndham Hotel Group (maior do mundo em número de hotéis). Eles são os co-proprietários do site que remove os agentes de viagens on-line a partir do processo de reserva e envia os hóspedes diretamente para as homepages dos próprios hotéis para efetuarem o pagamento.
 
Mas em um mundo abarrotado de sites de viagens, como o Roomkey vai se destacar?
 
Economistas subestimam o impacto do projeto na indústria de viagens, Expedia & cia. não gostaram nem um pouco, e os hoteleiros se dividem entre extrema confiança no projeto (43,75%) e os que são contra, alegando que é só mais um custo para os hotéis (37,50%).
 

(imagem: hotelmanagement.net)
 
Mas uma coisa é certa...a ideia é SENSACIONAL!
 
Bem, algumas coisas são indiscutíveis: o site é muito bem feito, o design é limpo, é menos utilitário e mais convidativo do que os sites das OTAs e consolidadoras. E, mesmo com um mercado menor e recém-chegado, já dispõe de 23 mil hotéis, avaliações de hotéis independentes e compartilhamento de planos de viagem.
 
Condordo, isso não é nada comparado ao portfólio das grandes OTAs. Em New York, por exemplo, o Roomkey oferece 23 hotéis, enquanto o Expedia vende 532 e o Booking.com, 390. Especialistas que não acreditam no conceito citam suas razões:
 
- Tentativas fracassadas no passado, como a Travelweb, criada há dez anos, que acabou comprada pela Priceline.com;
- Foco em grandes redes, sem força em outras regiões do mundo, dominadas pela hotelaria independente (grande força das gigantes OTAs);
- Para obter sucesso, os hoteleiros precisarão estar muito comprometidos e investir grandes quantias em marketing. Será que as redes vão tirar dinheiro do budget dos seus hotéis para colocarem no Roomkey?;
- Expedia tem contratos de longo prazo com a maioria das redes fundadoras. Se uma resolver limitar o inventário, outra pode tirar vantagem;
- Não pode ser comparado com um Orbitz (fundado por cinco grandes companhias aéreas dos EUA). A indústria hoteleira é muito mais fragmentada do que a aérea.
 
Mas vamos aos otimistas:
- Pelo menos nos EUA, a ameaça às gigantes OTAs é maior. 35% a 40% do volume do Expedia provém de hotéis domésticos, assim como 15% a 20% do Booking.com, que pode ver sua participação de mercado (market share) despencar;
- Estima-se que essa estratégia alcance 13 milhões de visitantes únicos no site, mais do que o tráfego das OTAs;
- O CEO John F. Davis III, também fundador da Pegasus em 2000, afirma: "O custo está mais alinhado com a homepage dos hotéis do que com as OTAs". Mas isso ainda será confirmado no futuro, quando será possível avaliar o retorno sobre investimento;
- O melhor de dois mundos - permite que clientes vejam opções de hospedagem agrupadas em um mesmo lugar e concede margens maiores aos hoteleiros.
 
E ainda existem muitas dúvidas:
- Todos os GDSs vão poder participar?
- Os fundadores vão coletar os lucros no final das transações? Se sim, como vão dividir entre eles e negociar com os futuros franqueados?
- OTAs vão poder entrar como parceiras?
 
Independente disso, o fato é que o Roomkey é uma fonte confiável que se alimenta das informações das homepages dos hotéis e proporciona aos consumidores digitais informações "direto da fonte".
 

Ao procurar pela cidade de São Paulo, já é possível encontrar
várias opções de hotéis das redes fundadoras
 
Mas em um mundo dominado por Expedia, Travelocity, Orbitz e priceline.com, não vai ser fácil se posicionar.
 
Scott Durchslag, ex-presidente do Expedia, disse: "Os hoteleiros são uma parceria muito melhor (em termos de altos custos) do que o Google entrar na batalha das reservas on-line". Mas a declaração não ficou sem resposta. O jornalista que fez essa entrevista completou: "Essa é uma manobra clássica. Vamos fazer os hotéis se juntarem a nós para combater a nova ameaça e depois nós tiramos o dinheiro deles, porque já vão achar que somos amigos". Adorei!
 
O Roomkey continua negociando com outras redes e hotéis independentes, mas nem todos compraram a ideia. A Starwood (empresa das marcas Sheraton e Westin) falou ao Wall Street Journal que estudou por vários meses a joint venture e declinou.
Além do receio de se queimar com os gigantes de viagens da web, as chances de diminuir o tráfego direto do seu site também é grande. Exemplo: o cliente que faz parte do seu clube de fidelidade não receberá ou resgatará pontos como costumava fazer nas reservas diretas no site.
 
Em um teste feito pelo jornal The Economist, o jornalista encontrou US$ 30 a menos no site Kayak do que na homepage do hotel. No entanto, o valor estava compatível no Roomkey.com, como era de se esperar. Portanto, se ele se mantiver confiável em sua precificação, deve ganhar pontos com o mercado e expandir.
 
O Roomkey está hoje disponível somente nos Estados Unidos, mas com expansão para outros países de língua inglesa até março, e pretende chegar a 80 mil hotéis até meados de 2012.
 
Mesmo com tantas opiniões contra e a favor, a ideia continua sendo sensacional e estarei torcendo para dar muito certo. Que desembarque rapidamente por aqui. O melhor comentário que li fazendo essa pesquisa foi: "O Roomkey é uma solução simples e positiva. Espero que se mantenha simples e positiva". Eu acrescentaria: "Que não seja tarde demais".
 
Com a vontade que os consumidores estão por novos canais de distribuição, é uma oportunidade única de os hotéis poderem controlar a experiência do processo de compra.
 
Em um mundo ideal, todas suas reservas viriam direto pela sua homepage (canal mais barato) e seus hóspedes (principalmente os de lazer) seriam fiéis, mas sei que os hotéis precisam hoje de vários canais de distribuição para alcançarem boas ocupação e receita por apartamento.
 
Portanto, a ideia desse artigo é simplesmente fazê-lo pensar mais profundamente na sua gestão de distribuição. Esse assunto está atrelado diretamente aos seus custos e seu faturamento. Vale a pena ficar atento às novidades e à movimentação mundial. 
Conecte-se!
 
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Os erros mais comuns dos novos líderes

De acordo com a consultoria Alliance Coaching, mais de 50% dos líderes recebem treinamento antes de começar a exercer o cargo. Mesmo assim, ainda existem alguns erros muito comuns nesse momento de integração. Confira o levantamento que a consultoria fez e aprenda a evitá-los. Caso conheça algum líder iniciante, aproveite e recomende as dicas. Se for você, leia, releia, imprima, decore...
  • Considerar que você sabe tudo.
  • Mostrar a todos quem está no comando.
  • Mudar tudo.
  • Ter medo de fazer as coisas.
  • Não dedicar tempo para conhecer seu time.
  • Não dedicar tempo com seu chefe.
  • Não se preocupar com problemas ou com funcionários problemáticos.
  • Não se permitir ser humano.
  • Não proteger seu time.
  • Evitar responsabilidades.


Listei mais alguns itens:
  • Rodear-se de burocratas e puxa-sacos.
  • Esquecer-se dos clientes.
  • Agir com arrogância, se achando melhor que os outros.
  • Chamar atenção dos funcionários em público.
  • Ameaçar
  • Falta de humor
E você? Qual erro de novos líderes já viu por aí?

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Ter e o Ser

Esse meu artigo também foi publicado no Hôtelier News. Clique AQUI.
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Para fechar o ano de 2010, escrevi um artigo com algumas palavras que sempre me inspiraram: "O benefício do fracasso e a vantagem da imaginação".

Entendendo que o final de um ano é momento de reflexão e planos e, novamente, peço licença para, dessa vez, compartilhar alguns trechos do livro Mercenário ou missionário, autobiografia de Victor Siaulys (1936 - 2009).

Posso apresentá-lo de diversas maneiras:

- Fundador e presidente do Conselho de Administração do Aché Laboratórios Farmacêuticos (seu lado "mercenário");
- Membro efetivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República;
- Como hoteleiro, fundador e proprietário dos hotéis Unique São Paulo e Unique Garden, ambos obras arquitetônicas de seu grande amigo de infância Ruy Ohtake.
Mas vou me referir aqui simplesmente ao "seu Victor", idealizador e Presidente do Conselho Deliberativo da Laramara, Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (seu lado "missionário", motivado pelo nascimento de sua filha caçula Lara, deficiente visual).

Seus valores humanos e humanitários estão incrivelmente presentes no Unique Garden, onde o conheci e encantei-me pela sua história. O local foi todo idealizado para receber crianças com deficiência visual, que encontram lá um paraíso das sensações. Não é à toa que a dica é passear pelos jardins com os olhos fechados.
Gostaria de transcrever o livro inteiro aqui. Todos nós temos muito a aprender com esse grande brasileiro, idealista, ousado e, acima de tudo, um ser humano maravilhoso.
(foto: Gabriela Otto)

"O Ter
Em uma empresa competitiva, você não pode SER, você tem que negociar permanentemente, aprender a se proteger e criar armaduras. Tem que aprender a olhar para dentro e ouvir a si mesmo, mas isso exige muita coragem. Mesmo porque o medo de perder tudo que acumulou na sua conta é muito forte.

Quando a ambição fisga o SER o arrebanha para o TER?

Em que momento se instala o fascínio do sucesso, do controle, do domínio, do poder e do dinheiro?

A história dessa química invade a alma, inebria a mente.

O TER pode ser mau, mas é bom.

Como TER sem SER?

É o dilema shakesperiano, o que ter e o que não ter?

É da condição humana querer tudo. E tanto Hollywood quanto os comerciais de cigarros ou revistas com fotos de celebridades nos mostram isso todos os dias: os bem-sucedidos são os que têm dinheiro, mulheres, aviões, cavalos, ilhas e castelos. Todos nós queremos ter sucesso na vida. Os mais valiosos adoram ser medidos pelo seu saldo bancário, ou por sua lista de propriedades.

A ambição faz parte do ser humano. É a força do TER sobrepujando o SER.

O que importa é TER. Você é avaliado pelos seus pares por aquilo que tem. Com um pouco de habilidade e competência pode TER tanto quanto sua ambição alimente. TER bens depende da nossa capacidade mercenária de gerar lucro.

A felicidade é TER mais coisas. TER bastante dinheiro para consumir as prateleiras do shopping.

Imitando meu irmão Frei Betto, adoro fazer passeios socráticos pelos shoppings, para saber tudo o que não preciso TER para ser feliz?

Não dá para ser feliz quando se tem um grande apego às coisas materiais. É o desejo de TER que move os homens. O desejo de ter mais e mais.

O dinheiro mal-amadoO meu desapego ao dinheiro não decorre de qualquer atitude mística ou religiosa. Acho até que foi consequência do convívio com alguns indivíduos claramente mesquinhos. Indivíduos bem-sucedidos, ricos mesmo, que permanentemente se queixam da falta de dinheiro e buscam sempre uma nova oportunidade de ganhar 'mais algum'. Pessoas assim, certamente nunca dormem direito. E quando o fazem, por poucas horas, deve ser sob estresse permanente. Começam perdendo a saúde para conseguir o dinheiro. E terminam por perder o dinheiro para tratar da saúde. Passam pelo mundo mirando ansiosamente o futuro e se esquecem do presente. Acabam por desperdiçar tanto o presente quanto o futuro.

Aprendi com um rabino: se quiser avaliar uma pessoa, procure observar a maneira como ela se comporta diante de três coisas: sexo, tempo e dinheiro.

Madre Teresa de Calcutá disse: 'Não nos contentemos simplesmente em dar dinheiro. Dinheiro não é o suficiente, dinheiro pode ser conseguido, mas eles (as pessoas) precisam de nossos corações para amá-los. Portanto, espalhem amor por onde passarem'.
O Ser
O SER é mais complexo, exige moral e ética. Comprometer-se com uma causa. Ter uma missão. Participar de um desafio. Não é necessário ter uma religião. Os textos sagrados nos dizem que o que salva o homem não é a sua religião, mas a sua crença. Juntar-se a amigos verdadeiros, identificados pelos mesmos ideais e pela mesma ética social. A felicidade do TER é efêmera. O significado de nossa vida é o SER. Ele é eterno. A maioria das pessoas insiste em comprar a felicidade para preencher o seu vazio existencial, como dizia Jung.

Todos os grandes mercenários que conheci são grandes dissimulados, falam com absoluta convicção. São eloquentes nos seus falsos argumentos, mas dissonantes na hora em que expressam a verdade. Habituado ao convívio com cegos, aprendi que, quando falamos a verdade, nossa voz tem um tom quase musical. Quando mentimos, nossa voz sai do tom. A falsidade é dissonante.

Sobreviver no mundo empresarial é viver um jogo, em que você tem que aprender as regras e como burlá-las. Assim, o blefe e pequenas infrações vão fazendo parte do esquema. Embora vencer ou perder façam parte do jogo, ninguém entra para perder. No mundo corporativo não existe concorrente que mereça ser considerado seu amigo. Todos, sem exceção, são seus inimigos. Nunca subestime um executivo mercenário. Poder e dinheiro formam como combinação afrodisíaca.

O único padrão conhecido de valorização das pessoas é o TER. Algumas vezes, confesso, sucumbi, passando por cima da minha crença no SER. O TER demonstra o quanto você vale no mercado. Nossa existência é calculada em reais ou dólares. Você precisa ostentar para que os outros saibam quem você é, o que tem, ou quem acha é: uma criatura importante, a ser reverenciada por possuir carros importados, relógios e roupas de grifes famosas.

De meu lado mercenário, o TER foi fundamental. Sempre foi difícil lidar com ele sem ceder à tentação. Qual a medida certa e a proporção adequada? De quanto precisamos para bancar a felicidade? Qual a cota de simplicidade e despojamento que suportamos? São perguntas que me perseguiram a vida inteira.

Aprendi que para construir fortuna teria que abater adversários. Tudo correu conforme o programado - na contabilidade dos bens patrimoniais e dos afetos.  Eu não sabia o que me aguardava nas casualidades da vida? Mas, numa das Deus-incidências que me perseguem ao longo da existência, o nascimento de minha filha, em 1978, me mostraria que eu era apenas gente, como todo mundo. E que minha arrogância de executivo não valia nada. Eu não era o super-homem que pensava ser. Nem o todo-poderoso incensado pelo elevado saldo positivo que eu tinha na conta do TER.

Com o falecimento de meu pai, eu receberia como herança a casa onde nasci e que havia sido construída por ele. Com a mãe coragem Mara, começaríamos ali o nosso trabalho missionário. Um desafio familiar da dinastia Sialyus, sem qualquer vínculo com o trabalho mercenário na empresa farmacêutica que ajudei a fundar.

Hoje, convivendo com crianças cegas, que ocupam grande parte da minha vida, aprendi que para elas a felicidade tem um sentido totalmente diferente daquele das pessoas com visão. Grifes, luxo, ostentação, joias, adereços não têm sentido. Não precisam deles para mostrar quem são ou quanto valem, em comparação com os seus concorrentes. Não se preocupam com o TER, satisfazem-se simplesmente com o SER. Ou como nos ensina Fernando Pessoa: 'Tudo o que fui, foi o que não tive'.

Todo empresário tem, sempre, de tudo um pouco: poeta, louco, aventureiro, uma boa dose de arrogância e pretensão. Nossa civilização cultua os vencedores e é implacável com os perdedores. Como todo empresário, eu também sempre me julguei um vencedor, até levar a célebre porrada do poema em linha reta:

Nunca conheci quem tivesse levado porrada
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo
E eu que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida.
Fernando Pessoa

Percebi, pela primeira vez na vida adulta que, além de louco, aventureiro e arrogante, eu era um ser humano como qualquer outro. Um provérbio oriental me ensinou que todo problema na vida nos é colocado por obra de Deus, para testar nossa capacidade de resolvê-lo. Aprendi com grandes marqueteiros que é justamente nos momentos de crise que aparecem as oportunidades. Aprendi com um grande empresário que, quando não temos nenhum problema na nossa empresa, é importante que criemos um. Ele pode ser a oportunidade que precisamos para refletir sobre os dois aspectos muito importantes em nossa vida e em nossa empresa: Onde estamos? Para aonde vamos?"

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mais em 2012!!!!


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